Currais Novos quinta-feira 08 de maio - O assassinato de Zaira Dantas Cruz, jovem de 22 anos encontrada morta em Caicó durante o carnaval de 2019, tornou-se um símbolo da luta contra o feminicídio no Rio Grande do Norte. Após anos de mobilizações, pressões públicas e dores familiares, o caso se aproxima de um desfecho no tribunal. A seguir, apresentamos uma cronologia dos principais acontecimentos, incluindo a recente visita da SEMJIDH na figura de sua secretária Rayssa Batista à mãe de Zaira, Osanaete Cruz.
Cronologia do Caso Zaira
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23 de fevereiro de 2019 – Zaira Cruz é encontrada morta dentro de um carro, após uma festa de carnaval em Caicó. O caso, inicialmente tratado como morte acidental, é reclassificado após exames indicarem sinais de estrangulamento.
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28 de fevereiro de 2019 – O policial militar Pedro Inácio Araújo, que estava com Zaira na noite do crime, é preso preventivamente, suspeito de feminicídio.
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2019–2020 – A Polícia Civil conclui que Zaira foi vítima de feminicídio. O Ministério Público denuncia Pedro Inácio, que passa a responder por homicídio qualificado.
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2021–2024 – O caso sofre sucessivos adiamentos. A mãe da vítima, Osanaete, se torna uma referência na luta por justiça, promovendo mobilizações e participando de atos públicos.
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Março de 2025 – O caso completa 6 anos sem julgamento. A impunidade gera revolta e amplia a pressão da sociedade civil por uma resposta da Justiça.
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Maio de 2025 – A secretária especial da SEMJIDH (Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos), Rayssa Batista, visita a mãe de Zaira em Currais Novos. O gesto representa solidariedade institucional e reforça o compromisso do governo com o enfrentamento ao feminicídio.
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Maio de 2025 – Após seis anos de espera, o Tribunal de Justiça do RN marca o julgamento de Pedro Inácio para o segundo semestre de 2025, reacendendo a esperança de justiça para a família.
Voz da Mãe
“Eu só quero justiça. Não dá pra aceitar que minha filha tenha sido silenciada assim e ninguém pague por isso”, declarou Osanaete Cruz, mãe de Zaira, após a confirmação da data do julgamento que está marcado para o dia 02 de junho. Após mais de 6 anos de espera.
O caso Zaira representa muito mais que uma tragédia individual: tornou-se um marco regional na denúncia da lentidão da Justiça diante de crimes contra mulheres. O julgamento marcado simboliza uma vitória parcial da resistência da família e da mobilização social, mas também impõe uma reflexão: por que a Justiça demora tanto para agir?

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